longe dos palpiteiros

Cresci sendo um pouco esquisita, alguns dizem que ainda sou, mas eu discordo (em parte). Desde pequena pensava diferente, fazia as contas de matemática tudo ao contrário, soletrava as palavras tudo fora de ordem e desenhava desenhos de ponta cabeça. Mesmo assim nunca achei que era “diferente” – só sempre me achava atrasada, estranha, roliça demais, baixinha e anti-social.

O tempo me fez bem (ufa), aprendi a encarar os meus medos, realizar coisas que NUNCA teria feito sem apoio da minha mãe e irmão, aprendi quais eram meus pontos fortes e fracos, quais áreas em que eu “brilhava” e áreas em que eu era horrível.

Em contrapartida, o tempo fez com que os palpiteiros aumentassem na minha vida. Eu cantava uma música, daí eu tinha que ser cantora. Eu cuidava das pessoas, daí eu tinha que ser enfermeira. Eu fazia um bolo, daí eu tinha que ser confeiteira. Eu consertava um pneu furado, daí eu tinha que ser borracheira. Já deu para entender, né? No final acabei sendo artista visual e outras coisinhas que faço por aí.

Fui então para uma conferência de artistas na Califórnia, EUA e o primeiro exercício daquela sessão era “entregar” uma obra de arte para Jesus. Eu estava tão cansada que nem lembro a ‘obra de arte’ que eu estava entregando a Jesus. Só lembro que cheguei perante Ele e falei: “Então, Você que me criou desse jeito todo estranho, e agora todo mundo quer que eu faça isso ou aquilo. Me sinto atrasada, me sinto pressionada, me sinto um fracasso pois faço monte de coisa e é como se não tivesse fazendo nada. Ai.. eu cansei.”

Naquele momento, era como se Jesus estivesse olhando no fundo dos meus olhos e eu ouvi uma voz muito forte que falava: “Você faz só aquilo que eu te peço, minha filha. Eu amo você do jeito que eu te criei.” Não lembro mais nada, só lembro do cara do lado que me entregou um lenço para limpar minhas bochechas pretas de rímel de tanto que eu chorava.

Hoje faz 4 anos que isso aconteceu, eu olho minha vida e vejo inúmeras coisas que eu “poderia” ter feito, chances que pareciam imperdíveis, por outro lado eu vejo que fiz aquilo que “deveria” ter feito. Foi fácil? Claro que não. Foi gratificante? Com certeza sim! Tem dias que ainda tenho dificuldade de ouvi-Lo no meio dos palpiteiros (que nem sempre são pessoas….) mas quando sinto que estou me afogando no barulho, logo lembro o propósito Daquele que me criou. O que importa é se eu sei obedecer o hoje antes de viver o amanhã, se eu sei confiar de olhos fechados sem me preocupar com o resultado e se eu sei amar Ele mais que essa vida.

Que o nosso coração seja mais cheio de propósito eterno, cheio de confiança Naquele que nos chamou e escolheu, e cheio da certeza que a obediência sempre nos levará mais longe do que o sacrifício.

– Z.L.

zoelilly
5 Comments
  • Raynnra Marques
    Responder

    Enxugando as lágrimas! !!
    Amei

    30 de setembro de 2015 at 23:26
  • Letícia Ferraz
    Responder

    Demais! Estou muito feliz em poder te conhecer pessoalmrnte amanhã!

    1 de novembro de 2015 at 11:36
  • Daiane da Silva
    Responder

    Oi Zoe…
    Acabei de descobrir o seu blog e ler esse post…cara q engraçado! Tudo o que eu precisava ouvir. A diferença é q os palpiteiros conseguiram estragar o meu percurso…hj sou muito fechada e frustrada com algumas atitudes que eu tomei por conta de achar que “Deus estava usando fulano…ou siclano…enfim,
    obrigado por ter este blog e ajudar pessoas como eu.
    Deus te abençoe.

    20 de abril de 2016 at 20:47
  • CARLA CAROLINA DO CARMO RIOS
    Responder

    Nossa…! Sem palavras. Amei ter lido seu post.. Obrigada 🙂 que Deus te abençoe, espero um dia te conhecer pessoalmente. Abraços!

    19 de junho de 2016 at 12:33
  • Eduardo Nunes
    Responder

    Olá zoe
    Me indetifiquei fortemente, sempre foi assim cheio de dons, e nunca foi fixei em nada, hoje faço parte do louvor e sou ministro
    Mas o a gritaria que passa na minha cabeça por onde irei me encaixar nessa situação toda, dentro de mim há uma gritaria, que passo noites em claro pensando, creio que Deus tem algo diferente pra mim, mas não consigo controlar tantos pesamentos. Me indentifico com esse texto. Pois já passai e passo por muitas dessas coisas que você descreveu .

    28 de dezembro de 2016 at 15:43

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